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segunda-feira, 8 de setembro de 2008

UA inicia consultas com os mauritanos


O PRESIDENTE da Comissão da União Africana (UA), Jean Ping, começou segunda-feira uma série de consultas com as novas autoridades mauritanas e a classe política, com vista a encontrar uma solução para a crise política e institucional resultante do golpe de Estado militar perpetrado a 6 de Agosto último, soube a PANA de fontes concordantes.

Após o seu encontro com o general Mohamed Ould Abdelaziz, presidente do Alto Conselho de Estado (HCE, a Junta Militar no poder desde o golpe de Estado militar), Ping avistou-se igualmente com líderes dos partidos políticos favoráveis ao “movimento de rectificação” (intentona), assim como com os do campo oposto e da sociedade civil.

No termo destas discussões, vários interlocutores de Ping declararam à PANA apreciar a situação prevalecente no país.

Bilal Ould Samba, um sindicalista, convidou a UA ao respeito pela vontade dos mauritanos que apoiam o “movimento de rectificação” por intermédio dos seus representantes no Parlamento. “Cabe aos mauritanos resolverem o seu problema”, defendeu, por seu lado, Ba Bocar Soulé, um ex-ministro que, apesar de condenar “em princípio” o golpe de Estado, estima que a mudança de 6 de Agosto passado se torna necessária “tendo em conta a situação de bloqueio que prevalecia no país”.

A Mauritânia está a ser dirigida por uma Junta Militar, que, a 6 de Agosto derrubou o presidente Sidi Ould Abdullahi, democraticamente eleito a 19 de Abril de 2007.

O principal partido da oposição, a Coligação das Forças Democráticas (RFD), não participará no primeiro governo formado pelo HCE, após o golpe de Estado.

A participação da RFD no Governo era dada como “muito provável” na semana passada segundo o seu presidente, Ahmed Ould Daddah, que justificou esta decisão pela insatisfação de duas condições prévias antes de assumir qualquer compromisso com a junta militar no quadro de uma nova transição na Mauritânia.

Ahmed Daddah exige a publicação, pelos golpistas, de um roteiro a que se junte um calendário eleitoral, bem como a neutralidade e a não participação dos membros da junta na próxima eleição presidencial.

Quanto ao primeiro ponto, a junta prefere proceder à formação do governo que se ocupará da elaboração de um calendário eleitoral, ao passo que o segundo ponto ligado à neutralidade e a candidatura dos membros do HCE ainda não foi discutido no seio da junta, conforme acrescentou a mesma fonte.

Jornal Notícias

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segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Mauritanos insistem nos protestos contra golpe de Estado

Bandeira da Mauritania Independente

A PEDIDO da Frente Nacional para a Defesa da Democracia (uma aliança de cinco partidos políticos), cerca de mil pessoas marcharam quarta-feira à tarde, em Nouakchott, para protestar contra o golpe de Estado perpetrado a 6 deste mês por uma Junta Militar contra o Presidente democraticamente eleito, Sidi Mohamed Ould Sheikh Abdullahi, constatou a PANA no local.

Ostentando retratos do presidente derrubado, os manifestantes seguiram um itinerário que vai do maior centro hospitalar de Nouakchott até à rotunda do maior mercado da capital política mauritana.

Ao expressarem a sua indignação em relação à ingerência das Forças Armadas no jogo político, assim como a paralisação das conquistas da unidade nacional, os manifestantes reclamaram o regresso à ordem constitucional, através do restabelecimento do presidente deposto nas suas prerrogativas.

Autorizada pela administração militar, a marcha decorreu sem sobressaltos na presença dos líderes de diferentes partidos políticos, segundo a PANAPRESS.

A Frente Nacional para Defesa da Democracia agrupa o Pacto Nacional para Democracia e Desenvolvimento, a Aliança Popular Progressista, a União das Forças de Progresso e o Partido para Igualdade e Justiça.
Panapress

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segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Moçambique condena golpe de Estado na Mauritânia

Mulher Nomada Mauritania .

A REPÚBLICA de Moçambique condena a ocorrência do golpe de Estado ocorrido a 6 de Agosto corrente na República Islâmica da Mauritânia, no qual foi destituído o Presidente da República, Sidi Mohammed Ould Cheikh Abdullahi, democraticamente eleito em Março de 2007.

Um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação ontem enviado à nossa Redacção refere que o acto constitui uma violação da Constituição da República Islâmica da Mauritânia e dos princípios consagrados no Acto Constitutivo da União Africana.
Face a este acontecimento, refere o documento, Moçambique apoia os esforços da União Africana em curso para a reposição imediata da legalidade constitucional naquele país, nos termos da Declaração de Argel de 1999 e da Decisão de Lomé de 2000 sobre Mudanças Inconstitucionais de Governos, que adopta o quadro geral para uma resposta a mudanças inconstitucionais de governos em África. O documento refere ainda que este acontecimento constitui um revés aos esforços permanentes da UA visando a consolidação da paz, estabilidade democrática e recuperação económica no continente.
Fonte: Jornal Notícias

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segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Golpe na Mauritânia depõe PR Abdallahi


UM grupo de militares mauritanos protagonizou ontem um golpe de Estado, detendo o Presidente Sidi Mohammed Ould Cheikh Abdallahi e o Primeiro-Ministro Yahya Uld Ahmed Waghf. Segundo fontes oficiais, o presidente deposto e o chefe do Governo foram conduzidos para o edifício da Guarda Presidencial.


A filha do Presidente mauritano confirmou por telefone à Rádio France International (RFI) que o seu pai se encontrava detido no edifício da Guarda Presidencial. Amal Mint Cheikh Abdallahi, filha do presidente, disse que é “um golpe de Estado puro e duro”.

“Não podemos sair do palácio presidencial. A comunicação, por telefone, foi cortada”, afirmou Amal, segundo a gravação divulgada pela RFI no seu ‘site’. A emissora não explica, no entanto, como estabeleceu o contacto com a filha do presidente deposto.

A rádio e a televisão nacionais interromperam as emissões pouco antes do anúncio do golpe. De acordo com testemunhas, as instalações dos dois órgãos de comunicação foram evacuadas.
Pouco antes de sua detenção, o Presidente mauritano tinha destituído todos os responsáveis militares do país e feito novas nomeações.

Organizados num “Conselho de Estado” dirigido pelo general Mohamed Ould Abdel Aziz, os militares golpistas anularam as novas nomeações no seio do Exército.
Segundo um comunicado lido pelo Ministro da Comunicação, Abdellahi Salem Ould El Moualla, na televisão estatal, o decreto sobre as nomeações presidenciais “é nulo e de nenhum efeito”. Os generais substituídos são Ould Cheikh Mohamed Ahmed e Mohamed Ould Abdel Aziz, dois membros do Conselho Militar de Transição, que conduziu de 2005 a 2007 a transição democrática na Mauritânia. Não foi adiantada qualquer informação sobre a composição deste Conselho de Estado.

Abdallahi, primeiro presidente eleito democraticamente na Mauritânia, em Março de 2007, é economista e ex-ministro. Ele foi eleito este ano, ao vencer, na segunda volta, o veterano ícone da oposição, Ahmed Ould Daddah, de 64 anos.
A Mauritânia, ex-colónia francesa, independente desde 1960, sofreu durante décadas com a corrupção, golpes e regimes autoritários.

Entretanto, o golpe de Estado na Mauritânia, o terceiro desde a sua independência em 1960, foi condenado pela União Africana (UA), que exigiu, em comunicado, “o restabelecimento da legalidade constitucional”.

O presidente da Comissão da UA, Jean Ping, “está a seguir com grande preocupação a evolução da situação na Mauritânia” e “reitera a recusa pela UA de qualquer mudança inconstitucional de governo ou de qualquer tentativa de tomar o poder pela força”, acrescentou a mesma nota.
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Fonte: Jornal Notícias 07/08/2008

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