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segunda-feira, 13 de julho de 2009

Governo vai construir segunda ponte em Tete sobre o rio Zambeze

O GOVERNO moçambicano já tem assegurado um financiamento para a construção de uma segunda ponte sobre o rio Zambeze, na cidade de Tete, província do mesmo nome. Sem revelar os valores a serem aplicados, o Ministro das Obras Públicas e Habitação, Felício Zacarias, que ontem anunciou o facto durante a visita à ponte construída sobre o mesmo rio, entre as margens de Caia, em Sofala, e Chimuara, na Zambézia, explicou que o projecto já está concebido devendo arrancar até finais do corrente ano.

“A província de Tete está a ter um crescimento bastante assinalável e isso catapulta o desenvolvimento, o que implicou que o Governo elaborasse este projecto para a construção da segunda ponte na cidade de Tete, o que permitirá, igualmente, que o carvão de Moatize e todo o potencial de produtos agrícolas possam ser escoados”- explicou.
Igualmente sem revelar os financiadores, o titular da pasta das Obras Públicas e Habitação assegurou que já existem verbas asseguradas, o que terá levado o Governo a desenhar esta importante iniciativa.

“O nosso desejo é construir a segunda ponte sobre o rio Zambeze na cidade de Tete, o que vamos equacionando para que tudo aconteça, se não houver qualquer constrangimento o arranque das obras possa ocorrer até finais do corrente ano”- revelou.

Debruçando-se sobre a ponte construída entre as margens de Caia, em Sofala e Chimuara, na Zambézia, Felício Zacarias disse que está tudo a postos para a sua inauguração dentro de dias, numa cerimónia a ser dirigida pelo Presidente da República, Armando Guebuza.

Sobre a qualidade das obras disse que o Governo está bastante satisfeito com o nível de sua execução. Afirmou que tudo está a postos para a cerimónia que terá, em princípio, o seu ponto mais alto na região de Chimuara, dado que o lançamento da primeira pedra aconteceu em Caia.

A nova aponte ligando Sofala e Zambézia terá duas portagens, sendo uma em cada margem do rio. Está orçado em 78 milhões de euros disponibilizados pela Comissão Europeia, Suécia, Itália, Moçambique e Japão. Possui duas faixas de rodagem, dois passeios, 36 pilares, dos quais 29 no viaduto e seis na ponte principal. Possui 2.376 metros de comprimento, sendo 1.666 no viaduto e 710 na ponte principal.
António Janeiro

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segunda-feira, 8 de junho de 2009

Central da Vale vai produzir 1800 Mw


A CENTRAL Termoeléctrica da Vale, empresa brasileira que detém o título de exploração de uma mina de carvão mineral em Moatize, província de Tete, poderá produzir até 1800 megawatts de energia eléctrica.
O facto foi revelado pela directora de Energia da Vale, Gleuza Josué, falando ontem em Maputo durante um encontro de consulta pública sobre a viabilidade do projecto, uma fase integrada no estudo de impacto ambiental ainda em curso.

“A meta de produção da Central Termoeléctrica é de 1800 megawatts. Numa primeira fase vai-se produzir 600 megawatts por um conjunto de máquinas, cada uma de 300 megawatts. Desta quantidade, 53 megawatts são para o consumo interno da própria central e 547 estarão disponíveis”, disse.

Segundo Gleuza Josué, 57 megawatts desta quantidade de energia eléctrica destinam-se a alimentar a mina de carvão e a outra parte (547 megawatts) estará disponível para a venda. Esta energia estará conectada ao sistema da rede nacional através da Subestação de Macamba, também localizada em Tete.

A central irá utilizar cerca de três milhões de toneladas de carvão de queima por ano, produzidos na mina. O empreendimento vai ocupar cerca de 300 hectares desta área.
Os dados do estudo de impacto ambiental apresentados durante o encontro não indicam a possibilidade de existência de danos ambientais, pois, segundo Gleuza Josué, o carvão de Moatize tem um teor de enxofre muito baixo (0,6 por cento), sendo por isso um dos melhores do mundo. Considera-se não haver possibilidade de poluição exagerada da qualidade do ar.

Por outro lado, a central térmica vai utilizar meio metro cúbico de água por segundo captada no rio Zambeze. As águas residuais são arrefecidas e devolvidas ao rio, obedecendo à legislação ambiental sobre a matéria. A cinza resultante do processo de queima pode ser usada na indústria do cimento, cerâmica, bem como para o fabrico de blocos e pavês.
O calcário utilizado no processo de produção poderá ser adquirido a nível nacional, havendo a possibilidade de comprar esta matéria-prima na província de Nampula.

A companhia Vale, a segunda maior do mundo no ramo, diz pretender utilizar equipamento de ponta, de modo a produzir uma energia eléctrica limpa. “Em África não existe uma central termoeléctrica com equipamento do género”, reveloua nossa fonte.
A utilização do carvão mineral para a produção da energia eléctrica tende a crescer no mundo, por ser considerado um insumo ainda menos explorado e mais acessível.
Segundo a directora de Energia da Vale, 40 por cento da energia produzida a nível do planeta depende do carvão mineral. Na África do Sul, por exemplo, a produção de energia eléctrica é 93 por cento dependente do carvão mineral.

Em Moçambique este empreendimento poderá aumentar a capacidade do país de oferecer este recurso aos consumidores, particularmente a região da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), que actualmente enfrenta uma grave crise energética.

A central termoeléctrica vai usar exclusivamente carvão de queima produzido na mina da empresa, afastando, deste modo, a possibilidade da Vale poder comprar o carvão de queima produzido por outros operadores mineiros existentes em Moatize, incluindo a gigante australiana Riversdale.

MUHAMUD MATSINHE, da AIM

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segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Fauvet da AIM de novo contra o ZAMBEZE

Num artigo da AIM com data de 21 de Agosto Paul Fauvet volta a carga contra o semanário ZAMBEZE na sequência do processo que o Ministério entendeu levantar contra aquele semanário devido ao artigo publicado em Maio em que questionava a nacionalidade da actual Primeira Ministra, Luísa Diogo com base na lei da nacionalidade que foi aplicada na altura a milhares de mulheres de moçambicanas para as fazer perder a nacionalidade por via do casamento com estrangeiros mas que no caso desta ilustre cidadã se está a querer fazer passar a ideia de que a lei para ela não se aplica.


Como sempre, Fauvet começa por chamar o jornal como sendo da extrema direita. Quer ignorar a lei e passar por si do caso de milhares de outras mulheres que perderam a nacionalidade por causa do casamento com estrangeiros. Essas outras mulheres não contam?

Fauvet na sua prosa, sob pretexto de reportar a conferência de Imprensa convocada pelo acusador do Ministério Público para justificar a decisão do aludido julgamento ter sido à porta fechada, entre várias situações, classifica de “absurda” a história contada pelo ZAMBEZE.
Diz Fauvet, funcionário da AIM que está sob alçada de Luisa Diogo e é como quem diz sua chefe, que “em Maio o ZAMBEZE publicou uma história com uma sugestão absurda de que a mulher moçambicana, nascida de parentes moçambicanos, na província moçambicana de Tete, não era moçambicana de todo”.

“A base para isso é de que Diogo contraiu matrimónio com um cidadão português na altura em que vigorava uma lei de nacionalidade discriminatória que forçava a perca de nacionalidade moçambicana a toda mulher que casasse com um estrangeiro caso este não tivesse apelado pela nacionalidade moçambicana. O artigo assume que o esposo da Luísa Diogo, não tinha nacionalidade moçambicana quando em 1981 contraíram matrimónio”, refere Fauvet e prossegue afirmando ser “fácil provar que o ZAMBEZE não fez nenhum dos procedimentos básicos para apurar os factos”.

“De facto, documentos existem que demonstram que Albano Silva apelou pela nacionalidade moçambicana em 1975” e que “de facto a mesma viria a ser-lhe concedida em 1977”, adianta ainda Fauvet.

Ainda segundo Fauvet “a matéria do ZAMBEZE e seus repórteres parecia idiota até que o Ministério Público os transformou em mártires ao acusá-los como tendo cometido crime contra a segurança do Estado”.

Vou-me concentrar no ponto onde Fauvet alega existirem documentos que provam que Albano Silva adquiriu a nacionalidade moçambicana, questionando o seguinte: Onde está a portaria do ministro do Interior publicada no Boletim da República a autorizar a aquisição da nacionalidade ao senhor Albano Silva? Saberá ou lembrar-se à Paul Fauvet que Albano Silva casou a 7 de Novembro de 1981 com Luisa Dias Diogo e que nessa altura a única lei que existia discriminatória ou não era a lei que havia e foi aplicada para milhares de outras mulheres e não foi aplicada neste caso?

O ZAMBEZE apresenta documentos que até os publicou. Os leitores ficaram a saber que Albano Silva nunca deixou de ser português. Apresenta uma certidão de nascimento obtida nos serviços apropriados portugueses em cujo assento nada consta que Albano Silva tenha perdido a nacionalidade portuguesa. Ou seja, para o Estado português ele ainda é tido como cidadão luso. Por outro lado, tanto Albano Silva, assim como o próprio Ministério Público não apresentam nenhum Boletim da República onde conste a concessão da nacionalidade moçambicana a Albano Silva, tal como a lei manda. Onde está o BR a anunciar publicamente que ao cidadão que viria a casar com a cidadã Luisa Dias Diogo foi autorizada por portaria a aquisição da nacionalidade moçambicana?

Importa alertar os leitores que estamos perante um caso em que o ZAMBEZE apresenta provas documentais que ninguém contesta serem verdadeiras e que provam sem margem para dúvidas que o marido da primeira-ministra nunca deixou de ter a nacionalidade do país onde nasceu e de onde saiu apenas aos oito anos para ir fixar residência em Vila Trigo de Morais, hoje Chókwe.
Onde está a portaria do ministro do Interior da época que até era o actual chefe de Estado Armando Guebuza? Foi Guebuza que não cumpriu a lei e não fez publicar em BR a portaria a autorizar a aquisição da nacionalidade moçambicana ao cidadão Albano Silva?

O que faz correr Fauvet, sempre à carga contra o ZAMBEZE? Ora chama o jornal de anti-governamental, ora da extrema direita, ora o de menor circulação no país como diz no seu artigo de 21 de Agosto. Porque em vez de insultar não vai aos factos, à lei? Só falta chamar ao Zambeze de assassino de Samora… E mais não disse!

(João Chamusse) 2008-08-26

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