segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009


BAD aprova 3.1 milhões de dólares para responder à crise alimentar O Banco Africano para o Desenvolvimento adianta que “os preparativos para a implementação do desembolso dos fundos estão a ser discutidos com o governo de Moçambique para o início em breve desta operação. E o mesmo BAD diz que tem neste momento uma carteira de investimentos com cerca de 22 operações, num valor total de aproximadamente 601 milhões de dólares norte-americanos. Destas 22 operações, oito são para o sector agrícola”

O Banco Africano do Desenvolvimento (BAD) aprovou 3.1 Milhões de dólares norte-americanos para responder à crise alimentar em Moçambique. O montante, cujas negociações para sua aprovação ocorreram em finais do ano passado, deverá ser aplicado na compra de insumos agrícolas, entre os quais fertilizantes e algumas variedades de sementes.
Os mecanismo para o desembolso dos fundos ainda estão a ser discutidos entre o BAD e o Governo de Moçambique, esperando-se que a operação inicie brevemente. O BAD refere que os 3.1 milhões de dólares surgem no âmbito da resposta à crise alimentar que assola África, em particular Moçambique, e provêem de alguns projectos em curso e reestruturados.
Mesmo sem revelar os projectos em alusão, o BAD acrescenta que a decisão de atenuar a crise alimentar a curto prazo, foi tomada para minimizar os efeitos da subida de preços dos alimentos que Moçambique vem importando para fazer face às diversas necessidades da população.
“Moçambique é um país importador de alimentos e os fundos serão utilizados para a compra de insumos agrícolas com vista a aumentar a produção de diversos alimentos localmente”, refere o BAD acrescentando que “entre os diferentes insumos previstos, destacam-se fertilizantes, agro-químicos e alguns tipos de sementes e dar prioridade ao uso dos serviços de extensionistas para assistir tecnicamente os produtores agrícolas, assim como ajudá-los na mitigação do impacto ambiental no que diz respeito ao âmbito do uso de fertilizantes e agro-químicos”.
Para monitoria da referida produção de alimentos foi indicada uma Unidade Coordenadora do Governo, liderada pelo Ministério da Planificação e Desenvolvimento que irá se responsabilizar pela supervisão da operação.
O Ministério da Agricultura assumirá o papel de “Agência de Implementação da operação, fazendo as aquisições e a distribuição dos insumos para os beneficiários finais”. Por outro lado, o BAD avança que “os preparativos para a implementação do desembolso dos fundos estão a ser discutidos com o governo de Moçambique para o início em breve desta operação. O BAD tem neste momento uma carteira de investimentos com cerca de 22 operações, num valor total de aproximadamente 601 milhões de dólares norte-americanos. Destas 22 operações, oito são para o sector agrícola”.

Moçambique com problemas sérios de fome
Dados na posse do «Canal de Moçambique» avançados por uma fonte do Ministério da Agricultura indicam que em Moçambique mais de meio milhão de pessoas enfrentam neste momento problemas graves de alimentação, e segundo alega, o “facto deriva dos baixos índices de produção aliada à falta de chuvas”.
Num contacto telefónico, a mesma fonte que pedia que o seu nome não seja citado em virtude de “não estar a prestar entrevista mas, sim, a fornecer dados reais que acho que todo o mundo deve ficar a saber”, quando questionada pelo «Canal de Moçambique» sobre a actual situação de fome no País, disse que “as estimativas actuais apontam para cerca de 600 mil pessoas a braços com a fome em todo Moçambique, mas o certo é que o Governo já está a lidar com problema”. Num outro desenvolvimento, a mesma fonte do Ministério da Agricultura viria a referir que “é preciso lembrar que a fome não é um problema estritamente moçambicano ou da África.
A fome assola todo o planeta daí que actualmente fala-se de mais de 700 milhões pessoas desnutridas em todo o mundo”. Num outro diapasão, o interlocutor acrescentou que considerando esses dados fica claro que “todos os países devem formular novas políticas para atender ao facto que parece dramático e acelerar o processo de produção de alimentos para mitigar os efeitos da fome, principalmente a desnutrição aguda nas crianças”.
De referir que em África estima-se que há, espalhadas, mais de 60 milhões de pessoas afectadas pela fome. Refere-se igualmente que “urge aumentar a produção de alimentos em 50 por cento até 2030 para responder à demanda”.

(Emildo Sambo)

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