segunda-feira, 20 de julho de 2009

Moçambique é exemplo na prevenção de desastres


- reconhece Federação Internacional da Cruz Vermelha no seu relatório anual sobre calamidades naturais lançado ontem em Maputo
MOÇAMBIQUE é um dos exemplos bem sucedidos de prevenção de calamidades naturais baseada nas comunidades, segundo reconhecimento expresso no relatório mundial sobre desastres - 2009, lançada ontem em Maputo.

O documento, uma publicação anual da Federação Internacional da Cruz Vermelha e Crescente Vermelho (FICV), releva que a progressiva redução de mortes e danos materiais em consequência dos desastres naturais no país é consequência directa do estabelecimento e melhoramento sistemático dos sistemas de prevenção e de resposta rápida ao nível das comunidades.

Nos últimos anos, segundo o relatório, Moçambique alcançou notáveis progressos em matérias de sistemas de aviso prévio, associados à rápida reacção face a eventos naturais extremos, sendo que depois dos relatos dramáticos ligados ao impacto das cheias e inundações de 2000, em 2007/2008, biénio igualmente marcado também pela ocorrência de ciclones e secas, registou-se uma redução considerável dos impactos negativos sobre as comunidades, devido à concentração que se teve na componente prevenção e mitigação.

Com efeito, de acordo com o documento, em 2008, no país, foram reportadas 58 mortes de um total de 723 mil afectados por desastres naturais, havendo a indicação da morte, entre 1999 e 2008, de um total de 1576 pessoas de um universo de 11.340.592 afectados. Na sua referência a 2008, a FICV releva o facto de o ano passado ter sido marcado pela ocorrência de vários eventos extremos, nomeadamente cheias, inundações no centro do país, e ciclones no centro e sul.

Intervindo no lançamento do relatório, num acto inserido nas comemorações dos 28 anos da Cruz Vermelha de Moçambique (CVM), o presidente daquela instituição humanitária, Marcelino Alexandre, explicou que a sua organização tem se envolvido nas comunidades em actividades de prevenção e resposta a desastres, HIV/SIDA, Saúde, abastecimento de água e saneamento do meio, acções que segundo ele aliviam os efeitos dos problemas sociais dos grupos mais vulneráveis e minimiza o seu sofrimento.

“Com a nossa acção, temos a certeza de que o nosso mundo vai melhorar...”, disse o presidente da CVM que, segundo dados apurados pela nossa Reportagem na ocasião, possui uma rede composta por mais de cinco mil voluntários em todo o país.
Ainda ontem foram lançados o relatório nacional de desastres da Cruz Vermelha de Moçambique - 2008, no qual se reportam as acções daquela instituição em resposta ao impacto das cheias, do ciclone Jókwè e da violência xenófoba perpetrada contra moçambicanos radicados na vizinha África do Sul, tendo sido assistidas mais de oito mil famílias.

Ainda ontem foi lançada a Iniciativa de Desenvolvimento da Bacia do Zambeze, destinada a reduzir o impacto dos desastres e outros desafios que se colocam às comunidades que vivem ao longo da bacia do rio Zambeze, com o objectivo de melhorar a sua qualidade de vida, gestão sustentável e integrada das calamidades e desenvolvimento de programas na área da Saúde e cuidados médicos.

Actualmente a CVM presta assistência multiforme a mais de 600 mil pessoas que se encontram em situação de vulnerabilidade naquela região do centro do país, havendo programas de intervenção aprovados para os próximos três anos.

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