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terça-feira, 27 de maio de 2008

Santuário renova imagem e acolhimento

A IMAGEM e as condições de acolhimento dos peregrinos do Santuário de Nossa Senhora de Fátima, em Namaacha, vão mudar para o melhor num futuro muito próximo, estando neste momento a decorrer a reabilitação das infra-estruturas, entre outras inovações.

O facto foi anunciado no domingo passado pelo arcebispo de Arquidiocese de Maputo, Dom Francisco Chimoio, e pelo responsável do património do santuário, Casimiro Pinto, durante as celebrações dos 91 anos das aparições de Nossa Senhora de Fátima na cova de Iria, em Fátima, Portugal.

A pintura geral externa do edifício e a montagem de novos sanitários público para servir aos peregrinos são algumas das beneficiações que já são uma realidade.
“Há um caminho para chegarmos a uma reabilitação completa que naturalmente levará o seu tempo”, disse o arcebispo, que manifestou total satisfação pela aderência em massa, mais uma vez, do povo de Deus.



Os projectos em curso naquele santuário foram detalhados pelo responsável do Património, que explicou à nossa Reportagem que a reabilitação é um benemérito português. Para este mês está marcado o arranque da pintura definitiva.
No espírito de renovar a imagem e as condições do local, será constituída, nos próximos tempos, uma basílica no terreno do santuário. A basílica vai permitir que cerca de cinco mil pessoas estejam sentadas, o que dará um outro ímpeto às orações.
Está projectada também a reabilitação do antigo Instituto João de Deus, que será futura pousada dos peregrinos. Presentemente se está a finalizar pormenores técnicos do projecto.
Para materializar estas iniciativas, segundo nos disse Casimiro Pinto, a arquidiocese conta com apoio internacional e nacional.
Relativamente às cerimónias havidas, Dom Francisco Chimoio afirmou que a mensagem passada ao povo de Deus é de esperança, paz, confiança, solidariedade e, acima de tudo, que encoraja a lutar contra doenças como a SIDA, calamidades naturais e a carestia da vida.
“A mensagem que se transmite neste ano é a mesma dos anos anteriores, mas que tem a particularidade de tomar diversos pontos de vista”, disse.

Nota de destaque nas cerimónias havidas é o facto de se ter coroado a imagem de Nossa Senhora de Fátima como Rainha da Paz e da Família. A coroa foi oferecida pelo Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Fátima de Portugal por ocasião da passagem dos 91 anos das aparições de Nossa Senhora de Fátima.
Acredita-se que a coroação servirá para intensificar ainda mais a devoção mariana dos peregrinos, nomeadamente a devoção do rosário e dos cinco primeiros sábados, em louvor ao imaculado coroação de Maria e em reparação dos pecados cometidos contra o mesmo imaculado coração.


Fonte: Jornal Noticias


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sexta-feira, 23 de maio de 2008

Peregrinação, diversão e negócio

FORAM milhares os cristãos, crentes, fiéis, negociantes ou simplesmente cidadãos que acorreram, em massa, à vila de Namaacha, no último fim-de-semana, para participar directa ou indirectamente nas cerimónias dos 91 anos das aparições de Nossa Senhora de Fátima, na ova de Iria, em Fátima, Portugal.

O “Notícias” manteve a tradição e, mais uma vez, esteve a acompanhar, dentro do possível, um pouco de tudo o que lá acontece.
Um breve recuo ao tempo leva-nos a acreditar que a participação dos peregrinos na cerimónia esteve nos mesmos níveis dos últimos anos. O mesmo aconteceu com o grau de celebração, negócio e diversão, actos que não passam despercebidos naquela zona.

Foi positivo notar que os católicos, apesar do frio que se faz sentir, com relativa “agressividade” naquela vila, se comparado com outros pontos de Maputo, donde saíram a maior parte dos visitantes, lá estiveram. A cantar. A orar. A confraternizar e, acima de tudo, a buscar Deus, através de Maria, mãe de Jesus Cristo. Afinal de contas os problemas sociais são vários, a carestia da vida é um facto além de que é preciso agradecer a Deus pelo simples facto de se estar vivo.



Da conversa com alguns católicos, a maioria que preferiu se assumir como crente e não necessariamente fiéis da palavra de Deus, ficamos a saber que há sempre um ganho tomar parte daquela cerimónia.
Mateus Cossa, da Paróquia da Munhuana, Rosa Alberto e Nelsa Manoca, da Paróquia Nossa Senhora das Merceis, Catembe, deixaram transparecer que perdem os católicos que ainda continuam receosos em tomar parte daquela cerimónia. O valor acrescentado está no facto de se poder beneficiar da força espiritual dos demais religiosos ali presentes, para fazer chegar a Deus palavras de agradecimento, louvores e petições.

É por isso que numerosas pessoas foram a Namaacha a pé e sem condições de acomodação pernoitaram a orar de diversas maneiras.
Mas também no seio do mesmo grupo de pessoas que estiveram em Namaacha, alguns dos quais usaram o facto de serem católicos para ir àquela vila, a única coisa que fizeram foi diversão.
Na noite de sábado e mal que terminou a procissão de velas, o que seguiu, para alguns, foi descer até ao Mercado Central, onde os negociantes que não perdem oportunidade para vender acolheram o negócio.

Eram bebidas alcoólicas, frango assado e outros géneros alimentícios para todos os gostos e bolsos.
E, foi neste ambiente que constatámos uma vez mais, que há uma necessidade de aumentar os apelos para que os jovens mudem de comportamento, pelo menos quando a vez é de peregrinação.
Vimos ali jovens que inicialmente estiveram nas cerimónias, mas que depois optaram por se embebedar de forma irresponsável. Menores de 18 anos a consumir bebidas alcoólicas, num ambiente de total degradação de valores morais e sociais.

Foi igualmente penoso ver menores de idade a conduzirem viaturas lotadas como se fossem meros brinquedos. A dado momento, a estrada principal ficou bloqueada simplesmente porque estes grupos de jovens, já fora de si, cantavam e dançavam no meio da estrada numa atitude flagrante de falta de respeito e consideração para com os outros.
São comportamentos inadmissíveis que deviam merecer a condenação de todos, salvaguardando-se a ordem e a dignidade da cerimónia. E aí está o papel da Igreja, dos pais no sentido de educar os jovens para uma conduta social exemplar, especialmente quando se trate de cerimónias desta natureza.

Por último louvar a posição dos que optaram por dormir, mesma nas condições adversas, num compasso de espera para as actividades da manhã do domingo.

Fonte: Jornal Noticias de , 19 de Maio de 2008::

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terça-feira, 13 de maio de 2008

Namaacha recebe peregrinos

O TREZE de Maio, dia que se acredita da aparição da Nossa Senhora de Fátima, está já a movimentar a pequena vila fronteiriça da Namaacha, em Maputo, lugar que se torna tão pequeno quando chega esta altura. É que no fim-de-semana imediatamente a seguir a esta data os que professam a religião católica e não só, juntam-se no santuário da Namaacha para exaltar a fé e devoção a Deus, enquanto outros é apenas um momento para dar um passeio e contemplar a bela paisagem montanhosa de formação rochosa que predomina naquela região.

Por a data calhar numa terça-feira, a peregrinação ao santuário foi convocada para os dias 17 e 18 de Maio corrente, tendo como tema de reflexão “Maria, mãe da Divina Graça”.
Para o padre Américo Vilanculo, da paróquia Nossa Senhora de Fátima da Namaacha, a escolha deste lema surge da necessidade de chamar a todos os irmãos católicos e não só para uma reflexão sobre todos os problemas que enfermam a sociedade e chamar a fé do Senhor para abençoar a todos terrenos.

“Peregrinar é um convite de Deus, uma expressão de fé, um acto de louvor e intercessão. É também um momento de conversão e uma resposta ao pedido da Nossa Senhora, por isso é preciso que todos se emendem, que peçam perdão dos seus pecados e não ofendam mais a Deus que já está muito ofendido. Estamos a preparar o local que deverá acolher as cerimónias e esperamos que nos dois dias que vão durar as celebrações todas as pessoas se portem bem e não haja problemas de violência”, disse o padre Vilanculo.


Para permitir melhor acolhimento dos peregrinos, foram reabilitados os sanitários e no próprio dia deverão ser colocados depósitos de fornecimento de água potável, para além de que estarão posicionadas equipas de socorros para apoiar os peregrinos que se estiverem cansados e precisarem de alguma ajuda.

“Vêm pessoas de muitos cantos de Maputo e outras províncias, uns vêm de carros e outros a pé e alguns destes geralmente chegam em estado debilitado e precisando de socorro”, disse.
Em relação ao programa geral, padre Vilanculo disse que terá início às 13 horas de sábado com a concentração de todos os peregrinos, para as 15 seguir a solene via sacra, seguida de confissões e a celebração eucarística. Às 19.30 haverá a procissão de velas e às 21.30 o início da adoração. Para domingo está prevista a bênção com o santíssimo sacramento no santuário às 6.30 horas, enquanto que a celebração eucarística de encerramento da peregrinação acontecerá às 7 horas.

Fonte: Jornal Notícias



13 de Maio : Caminhar até ao Santuário da Namaacha não é para se divertir - convicção de arcebispo de Arquidiocese de Maputo, Dom Francisco Chimoio

NENHUM jovem pode deslocar-se, a pé, ao Santuário da Nossa Senhora de Fátima, na vila sede do distrito de Namaacha, a mais de 70 quilómetros da cidade de Maputo, tendo como objectivo final a diversão, defendeu ontem o arcebispo da Arquidiocese de Maputo, Dom Francisco Chimoio, quando entrevistado pelo “Notícias” à margem da cerimónia tradicional ao Santuário, precedida de uma peregrinação de religiosos provenientes das províncias do sul do país.

Trata-se de um evento que este ano decorreu sob o lema “Maria, Fiel Acolhedora e Portadora da Palavra”, numa altura em que se encerraram os 90 anos das aparições da Nossa Senhora da Fátima, em consonância com o Santuário idêntico localizado em Portugal.No entender do arcebispo, é, no mínimo, absurdo que haja jovens que possam sacrificar-se, percorrendo uma longa distância para, no final da viagem, já em Namaacha, realizarem actos que nada têm a ver com as actividades programadas pela Igreja Católica. “Eu ainda não vi nenhum jovem que veio aqui para se divertir. Todavia, quem viesse com esse propósito, perderia o seu tempo. Não é de esperar que não haja, mas eu ainda não encontrei um jovem que vem de Maputo a pé somente para se divertir. Penso que há muitos lugares para se divertir”, disse.
Arcebisbo da Arquidiocese de Maputo, Dom Frasncisco Chimoio

Para ele, um e outro jovem e que não esteja devidamente informado do que se pretende quando se vai ao Santuário pode limitar-se à diversão. Porém, na maioria fazem-se ao Santuário para rezar, reconciliar-se com o Senhor e purificar-se. “Quem vem para se divertir ainda não percebeu a mensagem, mas acredito que vai perceber, um dia”, sublinhou o arcebispo.

Entretanto, o antigo estadista moçambicano, Joaquim Chissano, que, com a sua esposa, Marcelina Chissano, participou naquela cerimónia, entende que participar na cerimónia como divertimento é, em si, “muito bom”. Tudo porque há muita coisa errada que os tais jovens poderiam estar a fazer, na cidade de Maputo ou noutros lugares, mas que, entretanto, preferiram Namaacha. “Certamente que ouvem a palavra que se transmite. Pode ser que o impacto não seja imediato, mas ao longo da sua vida a palavra vai ser construtiva”, apontou.

Durante os cultos, a Igreja Católica transmitiu mensagens de paz, compressão e reconciliação. “Queremos unirmo-nos e integrar o caminho daqueles que fazem a peregrinação como penitência, momento de oração e, sobretudo, como momento de reconciliação. Queremos passar este tempo como Maria, que soube acolher a palavra de Deus e fazê-la da sua vida”, disse Chimoio.

No seu entender, o que se procura é transformar a palavra em meio seguro para afirmar-se e lutar para o bem-estar ou contra os males que apoquentam a sociedade moçambicana. “Rezamos por todas as famílias moçambicanas e do mundo. Pedimos à nossa mãe para ser a protectora da nossa vida. Queremos continuar a anunciar a paz e o amor a todas as pessoas que teremos a sorte de encontrar ao longo da nossa vida. Essa é a possibilidade que cada um de nós leva para casa”, destacou.

No presente ano, mais de 15 mil pessoas participaram naquela cerimónia. De acordo com o comandante distrital da PRM, Gonçalo Mondlane, nada de anormal aconteceu, visto que desde há muito que a Polícia trabalha para garantir a paz, segurança e tranquilidade.

Fonte: Jornal Notícias, Maio de 2007::
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